quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Texto de Apresentação



Quando em 2011 o Tiago Cavaco (ex-Guillul) me convidou a participar na compilação fita-mistura 20 Anos de Ruptura Explosiva, co-editada pela FlorCaveira e pela Amor Fúria, e tive de recusar por falta de tempo, mental e físico, para gravar uma das canções que fui compondo enquanto ia ensaiando com O Verão Azul, a banda que comecei em 2009 com a minha mulher, comprometi-me a concluir e a gravar as canções e instrumentais que fui acumulando, no disco rígido do meu velho computador, ao longo de quase três anos.
Eram composições melódicas em torno de repetições de amostras que ia sacando de outras canções e que reproduzia constantemente, sozinhas ou em sobreposição. O processo de criação destas canções foi como uma aprendizagem, ia experimentando melodias, cortando e colando, até chegar ao som e à estrutura que queria. Com os instrumentais foi ligeiramente diferente, sobre uma repetição ia colocando batidas ou um baixo sintetizado até soar como interlúdio, instrumentais que poderiam abrir um horizonte espacial e sonoro para além das canções, alargando o espectro que pretendia atingir, enquadrando canções que poderiam soar soltas.
Faltava dar uma temática a este conjunto de produções sonoras. Quando comecei a pensar em nomes de bandas, há cerca de quatro anos, pensei no nome A Praia Grande. Remetia para o mar, o Verão, para a inocência e juventude, tudo ao mesmo tempo. De certa maneira resumia o espírito que queria dar ao disco, a que acabei por chamar Aula de Surf. O Surf surgiu a partir do momento em que comecei a escrever as primeiras letras das canções, em que um dos refrãos acabou a rimar a brisa de Verão com a emoção doce do Surf, mesmo sem nunca o ter praticado. A partir desta ideia parti para a praia e para o mar. A praia para além da sua imagem natural, com as pranchas de surf nas ondas, rapazes e raparigas deitados a apanhar sol, mas também a praia das manhãs de nevoeiro frias de Verão e os veraneantes de camisola com capuz e toalhas à volta do corpo, para o aquecer. Um lugar que tanto é um local espacial e concreto como espiritual e contemplativo.
Foi desta forma e desta maneira que surgiu este disco, para compensar a minha ausência numa compilação que celebra um filme de acção e surf, um disco que é dedicado à minha mulher, eterno Verão da minha vida.

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