Sábado, 4 de Julho de 2009
A procura de amostras continua imparável. Já há matéria prima e letras escritas para gravar três canções completas. Para os arranjos e para o resto das ideias são precisos ensaios na preparação das sessões de gravação. Nesta preparação incluem-se os jogos melódicos das vozes, a duração e sequência de cada amostra, os efeitos a utilizar e a adição do sintetizador. Também é preciso integrar a peça mais importante do puzzle: o sequenciador. Depois de estar gravado é preciso misturar as pistas. Pistas misturadas e as canções estão feitas. Vão ser três até ao fim do Verão que esta época estival é dedicada à produção.
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Disco Disco Disco #3
Será o clássico dos clássicos, a faixa que domina a pista sempre que é escutada. Como qualquer clássico é uma tentação e será sempre um dos discos vinil em pré-escolha porque nunca se sabe quando é que é preciso agitar de novo a pista de dança. Donna Summer é a rainha do Disco e neste single contou com a dupla de produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte para produzir diamante. A canção que foi considerada no momento que foi editada como o futuro da música de dança. Ainda agora será futurista. Toda a canção é baseada em sintetizadores, tem batida quatro por quatro, a voz de Donna Summer e coros. Um marco para a história da música electrónica. Não há videoclipe, devido a restrições de direitos autorais, logo há vinil a girar.
Artista: Donna Summer
Faixa: I Feel Love
Produtores: Giorgio Moroder e Pete Bellotte
Ano: 1977
Facto: "I Feel Love" é samplada na faixa "Future Lovers" de Madonna no álbum Confessions on a Dance Floor.
Artista: Donna Summer
Faixa: I Feel Love
Produtores: Giorgio Moroder e Pete Bellotte
Ano: 1977
Facto: "I Feel Love" é samplada na faixa "Future Lovers" de Madonna no álbum Confessions on a Dance Floor.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Farpas nas entrelinhas
O capital bélico acumulado de defesa do meu feudo poderia levar muita gente a pensar que iria continuar a responder a tudo o que se escreve protegido na carapaça dos artigos e espaços de opinião livre. Não vou. Avisei que o ano ia ser violento, mas também aviso hoje que até ao fim do ano tudo irá ficar mais calmo. Quando nas entrelinhas de artigos, mensagens e críticas, que apesar de não se centrarem no meu feudo, se enviam farpas escritas ao mínimo pretexto é de estranhar. Mas registo estas farpas nas entrelinhas. É a prova da nossa existência. Aqui há riscas pintadas no nariz, presta-se tributo a Variações e exibe-se Portugal. Com muito gosto.
Domingo, 28 de Junho de 2009
Queluz está a Arder
Cave da Igreja Baptista de Queluz cheia, um retroprojector a iluminar o espaço e muita gente com máquinas fotográficas a registar o momento. Guillul, o anfitrião, anunciava com a calma de sempre os nomes que desfilavam naquele tapete. "O vosso forte aplauso...". O meu forte aplauso à FlorCaveira por tudo. Concertos subterrâneos a sério são nos subúrbios. A camisola de mangas curtas não resistiu ao calor abrasador da cave. Samuel Úria & As Velhas Glórias, o concerto mais caótico e viril. Os Pontos Negros da cave dão baile aos dos festivais. Saí a sorrir, com a FlorCaveira tatuada no coração de amante furioso.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Santos e Idólatras
Entre as entremeadas e as sardinhas, as cervejas e as caipirinhas, celebraram-se os Santos Pop. Celebrou-se António Variações, a cultura pope e a santidade. A notícia da noite foi anunciada em palco e fez-se um minuto de silêncio. O rei da pope morreu. "Não seria propriamente um Santo". A cultura pope tem esta forma de celebrar as pessoas que marcam este tempo, "santifica-as" e elas tornam-se personagens de revistas e jornais e isto estará sempre mais próximo da idolatria. Sempre. Santificar é consagrar. Santificar é canonizar. "Don't Stop 'Til You Get Enough" e vivam, celebrem, dancem, que a morte também faz parte desta viagem.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
As Diferenças
Quem anda ansioso para entender as diferenças entre as duas entidades que andam a mudar a face do pope roque em português não pode perder dois eventos desta semana. Quinta-Feira deve estar no Arraial organizado pela ETIC, denominado Santos Pop, no Largo de Santo Antoninho em Lisboa. Sexta-Feira deve comparecer no Festival da Cave na Igreja Baptista de Queluz. De um lado Os Capitães da Areia, Os Velhos e Manuel Fúria e Os Náufragos. Do outro Te Voy A Matar, Bruno Morgado, Samuel Úria & As Velhas Glórias, Humble, Tiago Guillul e Os Pontos Negros. As diferenças vão manifestar-se no estilo, na forma e nas canções. Ambos os eventos são imperdíveis. O resto são novelas.
Domingo, 21 de Junho de 2009
De calções em Kingston
Já está escolhido o disco do Verão em vários blogues de amigos. É o LP de Discovery, a colaboração entre o teclista dos Vampire Weekend e o vocalista dos Ra Ra Riot. Além de teclar nos Vampire Weekend, Rostam Batmanglij é produtor dos Discovery. Wes Miles canta com ajuda preciosa da tecnologia. Concordo quando se diz que a capa é uma das mais fixes do ano. Cores a explodir. A combinar com as cores primárias a explodir d'Os Capitães da Areia. Mas, se escutarmos bem, é um disco que deriva das produções de Kanye West mais as produções pope desta década mais um rasgos de dubstep. É bom e tal, Kanye West de calções e aipode a passear nas ruas de Kingston.
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Vida privada
Não me sai da cabeça e apesar da aceitação inicial é incrível a justificação do não-jornalista à minha provocação. Usar um espaço num jornal, aquele tipo de espaço, para decifrar opiniões pessoais. A vida privada a misturar-se com a vida pública. Clarifico: Quem lê uma crítica deve ser correctamente informado sobre o disco e sobre a banda e não é isto que acontece. Tenho liberdade de me sentir incomodado e de chamar a atenção para isso. Os objectivos do texto do João Lisboa são desleais com o disco, com a banda, com as canções e com a editora que é responsável por tudo isto. Haja mais lealdade e verdade.
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Ela-Ela Alhur
A entrada de ontem era para ser esta. Estou a descobrir duas vozes femininas importantes da pope portuguesa. Pope experimental e não só, seja lá o que isso for. Falo, claro, de Né Ladeiras e Anabela Duarte. Para já, estou a dedicar-me ao Alhur da primeira e ao Subtilmente da segunda, que pode ser encontrado aqui. Dispensando o comentário "no meu tempo é que era", esta segunda escolha irá levar-me inevitavelmente aos Mler Ife Dada, que mal conheço. "Ela-Ela" é a minha canção favorita do momento. A primeira escolha irá levar-me ao Sonho Azul, o tal período referido num texto biográfico sobre aquaparque. Só me ficará a faltar depois o mid-tempo panache dos outros nomes referidos por lá.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Mal-entendido
Quando o assunto parecia arrumado, toma de novo uma centralidade que importa analisar agora. Já se sabia que o texto que o Guillul tinha escrito pós-concerto de apresentação do Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco tinha sido um pouco ao lado. Os meninos ricos que o Tiago se referia pertenciam ao público, baseado numa análise subjectiva e dúbia, na minha opinião. Nesta época em que os mal-entendidos são a verdade que fica é preocupante a imagem que este jornalista quer colar aos Golpes. Haja mais pensamento próprio e individual.
Sábado, 13 de Junho de 2009
António e Mariana
Noite de Santo António e dia dos 25 anos da morte do grande António. E as variações de ontem cantaram-se na Travessa da Portuguesa, à Rua das Chagas, no concerto de garagem mais espontâneo dos últimos tempos. A versão do "Anjinho da Guarda" bastou para concluir quem é que anda a celebrar ingenuamente o ícone pope do século XX. Enquanto isso, anunciava a noite de dia 19 de Junho pelas ruas de Lisboa: Smix Smox Smux, a melhor banda de Braga invade Lisboa; A Armada e o deserto branco na primeira parte. E descobri que uma das vozes do coro do deserto branco se chama Mariana. Tudo ao Santiago Alquimista para ouvir ao vivo a voz da Mariana.
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Fusível
Regresso ao Saldanha e aos Times New Viking. Os Times New Viking, mais uma banda da recente excitação em torno da baixa fidelidade do norte da América. Saldanha dos transeuntes, que correm atrasados para os escritórios, e das entradas de estações de metro fechadas. De volta ao centro depois de uma passagem no centro do centro. As flores murcham no Verão que se aproxima e o alcatrão aquece com as visitas dos turistas. A Lisboa empresarial segue indiferente à temperatura, condicionando o ar nos centros comerciais. Mudo o fusível do sistema de som e volto aos Times New Viking e que se lixem os livros.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Alain Prost
Na casa do Alentejo ali em Lisboa, ontem, o Norberto da Av. de Roma resolveu apresentar o seu novo disco. A sala encheu merecidamente para ver e ouvir ao vivo um dos grandes da nossa geração. Chegar cedo permite ficar sentado nas mesas e escolher um sítio privilegiado para estar ali, a ouvir beleza a passar por entre os nossos ouvidos e ver o serpentear do braço no braço das guitarras. A clássica fusão perfeita entre o homem e o instrumento. Belo, variado e cheio de estudo. É assim Pata Lenta. Só o Norberto Lobo para eu gostar do "Ayrton Senna". Eu que sempre fui Alain Prost.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Clássico do Hip Hop #5
Soul, De La. De La Soul. Da alma. 3 Feet High and Rising tem uma das capas mais memoráveis de todos os discos de Hip Hop e é um disco impossível de não gostar. O trio de Nova Iorque, formado por Posdnuos, Pasemaster Mase e Trugoy the Dove, e o produtor Prince Paul formaram a equipa que trabalhou as rimas, as batidas e as sequências, amostras e amostras de outros discos e gravaram o álbum sob o selo da Tommy Boy. Amostras de Led Zeppelin e The Monkees até Barry White e Hall & Oates. A minha escolha caiu para o single "Me, Myself and I" e para o seu teledisco profundamente educativo.
Artista: De La Soul
Faixa: Me Myself and I
Álbum: 3 Feet High and Rising
Ano: 1989
Verso: Mirror mirror on the wall
Tell me mirror what is wrong?
Artista: De La Soul
Faixa: Me Myself and I
Álbum: 3 Feet High and Rising
Ano: 1989
Verso: Mirror mirror on the wall
Tell me mirror what is wrong?
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Aculturação e Importação
Ainda não escutei o novo disco St. Vincent, pseudónimo de Annie Clark, mas não posso deixar de referir que sempre que penso nela e no seu passado na banda do Sufjan Stevens, penso também na Rita dos Sapatos Vermelhos e na banda do David Fonseca. Uma espécie de versão real da rapariga que é da banda e depois se lança a solo. É quase como imaginar os programas da TVI, as telenovelas e os programas de crianças a cantar, em espanhol. Apesar de tudo é bem mais clara esta sul-americanização da televisão do que a versão importada da primeira situação para consumo local.
Sábado, 30 de Maio de 2009
Perdido
Perdido em Barcelona, Nathan Williams e os Wavves faltaram à chamada na Zé dos Bois. A causa da súbita falta de orientação foi o derretimento no Primavera, festival a que fui o ano passado e há dois anos. Revela, no mínimo, uma falta de responsabilidade e uma atitude à estrela da baixa fidelidade. Há um ano perdido no quarto, hoje perdido em Barcelona. Quem safou a noite foi o John Maus e as suas produções pope ultra-minimalistó-melódicas, num karaoke autista que invadiu a galeria. E eu perdido fiquei pelo sequenciador e as suas possibilidades.
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Sobre a humildade
"Isto somos nós, isto é Portugal e é só pope". Esta frase e esta entrevista são verdades inatacáveis. Um discurso sincero, sem demagogias, de uma banda que apenas ambiciona existir. Existir para dar aos outros, todos nós portanto, canções que já são nossas. A humildade é a chave desta entrevista. Não há aqui nenhuma auto-proclamação. Não existem revoluções anunciadas. Apenas uma tomada de posição e objectivos claros. Uma banda ambiciosa, com vontade de ser grande, que apresenta canções de baile para deixar Portugal a dançar. Um desejo, diria, bastante humilde.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Eles vêm aí
Quando escrevi que estava noutra, ali algures em baixo, queria dizer que estava mais centrado no que ando a preparar. Vem aí o quarto disco com o selo da Amor Fúria. Irá chamar-se Eles São os Smix Smox Smux. O nome da banda está no nome do disco, como há mais de trinta anos com o primeiro dos Sex Pistols. E o panque está de volta perfumado de grunge. De volta a Seattle via Braga. Uma mistura de acidez dos pedais da guitarra, fanque da secção rítmica e humor refinado bracarense. Para ouvir, dançar e cantar em Junho, aos dezanove, no Santiago Alquimista. O disco vai estabelecer uma ponte entre duas décadas. Será o álbum que os anos noventa cobiçaram.
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Motivação
A motivação para criar vem sempre do desejo. Desejo de fazer algo nosso. Começo a entender que a primeira motivação para pensar em criar alguma coisa é esta. Algo que possa ter orgulho em dizer: isto é meu. Num colectivo ou numa banda também existe esse motivo, mas se não existir um líder ou um grande espírito de comunhão e cedência é impossível chegar ao fim. A arte em última análise vem do ego. Do ego filosófico, do Eu. No entanto, a partir do momento em que está criada, a obra, seja uma canção, um filme ou um livro, passa a ser de todos. Mas a primeira motivação é esta: eu criei isto. Uma poderosa e única sensação.
Sábado, 23 de Maio de 2009
Acústicos
É muito interessante escutar os novos espaços de dois dos criadores das canções d'Os Pontos Negros. Filipe Sousa e Jónatas Pires desdobraram-se e criaram dois espaços independentes e plenos de força. Força da criação musical e força da criação de canções. Canções que foram gravadas na forma acústica. Filipe Sousa segue de perto o mestre Samuel Úria e as monções estão a chegar para arrasar corações. Jónatas Pires é mais Manuel Fúria e é impressionante a semelhança na construção da canção que se pode escutar por aquele espaço. É prematuro anunciar um artista como o mais interessante de uma constelação que além destes quatro nomes congrega outros escritores e artesãos de canções desta geração dos anos zero. Sem ironia, sou a favor da existência de B Fachada e serenamente saciado aguardo o próximo disco d'Os Pontos Negros.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Praia ou Piscina #2
Não gosto que me confundam. Por isso esclareço: não existe nenhuma estratégia por trás das coisas que escrevo. Aquilo que eu escrevo reflecte uma visão individual e particular e nunca uma ideia colectiva e geral. Sou a favor da existência da FlorCaveira e nada me move contra ela. No passado ajudei, com as minhas capacidades, faculdades e engenho, a chegar às pessoas certas a música que me marcou naquele momento e naquele tempo. Agora estou noutra, é verdade. Repito, sou a favor da FlorCaveira. Posso é não apreciar na mesma medida todos os discos editados na editora. Não se preocupem, sempre me dei melhor com a discrição. E por vezes penso que escrevo só para uma pessoa. Na piscina.
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Experiência Ambiental

Atenção. O Techno ambiental está de volta e em força. Para além do novo disco do Axel Willner (The Field) também já está por aí o novo de Jesse Somfay, que está na fotografia que acompanha esta entrada e eu desconhecia. O novo álbum de Jesse Somfay é uma obra-prima em potência. A Catch In The Voice é um álbum de dois discos. O primeiro forma o ambiente para escutar a batida do segundo. A norma do momento parece ser a experiência sonora. Acreditem que esta é incomparável. Mas cuidado, a história do Techno ambiental já é antiga e só agora é que começa a ser descoberta. Jesse Somfay e The Field são dois nomes que bebem da obscuridade de uma certa cena electrónica cerebral do fim da década passada e boa parte desta. A descobrir em breve.
Sábado, 16 de Maio de 2009
Crítica ou "Corte"
Quando leio uma crítica analiso muito mais a forma de pensar do crítico do que a obra que ele critica, normalmente já conhecendo a obra anteriormente. A crítica não é mais que a revelação de uma opinião pessoal e revela também o próprio gosto. As notas a discos ou a filmes são falácias. No entanto revelam rapidamente, numa escala estabelecida, o "valor" de uma obra criada na avaliação dessa pessoa. Por isso mesmo o "corte" a discos é uma tarefa que necessita de algum estilo. Não deve ser estratégica nem reflectir uma opinião colectiva. Muito mais fácil será o elogio e muito mais bem visto. Um dos últimos "cortes" a discos com mais estilo que li está aqui.
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Praia ou Piscina
Fachada, Fachada, estás aqui estás na estrada. Podia ser uma boca que eu daqui enviava ao Bernardo. Até porque "Viola Braguesa" é um bom disco, com camadas e camadas de sons, e boas canções. Sempre num universo muito próprio, Fachada distingue-se de outros autores que cantam as próprias canções pela colocação de voz e algumas manias vocais que tanto podem ser geniais como falhar completamente. Tudo depende se apetece entrar ali, naquele mundo tão único de seres imaginados e normalmente casados ou juntos. É como ir à praia, pode apetecer ir se está sol. Ou então fica-se na piscina. É que, tirando duas ou três canções, este fim-de-semana dourado num pónei não é a minha praia.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Proto-Roque
A principal razão para se comparar o produto sonoro da maior parte das bandas que nasceu neste tempo no pope roque português com a banda The Strokes é a falta de conhecimento da cultura pope. Antes dos Strokes existiram os Television e antes deles The Velvet Underground. A outra razão para comparar toda esta nova vaga aos Strokes só se explica pela proximidade temporal. Por outro lado, as referências mandadas à parede têm o terrível defeito de fazer esquecer que tudo isto está muito mais próximo da fase Corpo Diplomático do Roque português. A existir algum revivalismo deve apontar-se essa fase do Proto-Roque português e os anos seguintes e não a do revivalismo internacional do Rock.
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
A vida é curta demais
Depois de muito matutar e de escrever pela noite dentro em fóruns dedicados inicialmente aos sons e hoje um micro mundo onde se "fala" basicamente de tudo e depois de ler também a opinião do meu amigo Tiago sobre o concerto de apresentação de "Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco" e sobretudo lendo duas páginas centrais do suplemento cultural ípsilon sobre Os Golpes aprendi e cresci. Aprendi que tenho orgulho naquilo que faço. Aprendi que não é a parte sociológica que me faz correr na música pope. Aprendi sobretudo que é preciso aceitar os outros, aceitar o que é cada pessoa, aceitar o que se escreve. Sempre. A vida é curta demais.
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Disco Disco Disco #2
Os Chic são porventura a banda mais importante do período Disco. Serão também uma das bandas mais surripiadas dos tempos modernos. Acima dos Chic estará o James Brown e os Kraftwerk e mais alguns, claro. O tempo funciona sempre como factor de selecção das bandas e das canções que realmente interessam. E os Chic são uma das bandas que o tempo seleccionou. Qual é o DJ que não tem um disco de vinil dos Chic na sua mala? Fiquem com "Everybody Dance", do primeiro álbum dos Chic, cuja capa está nesta hiperligação.
Artista: Chic
Faixa: Everybody Dance
Produtores: Bernard Edwards & Nile Rodgers
Ano: 1978
Facto: "Everybody Dance" é das canções menos sampleadas dos Chic.
Artista: Chic
Faixa: Everybody Dance
Produtores: Bernard Edwards & Nile Rodgers
Ano: 1978
Facto: "Everybody Dance" é das canções menos sampleadas dos Chic.
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Cacofonia dançável
Existem coisas refrescantes para serem ouvidas agora vindas de fora. Dos Animal Collective já falei e não há muito mais a acrescentar. Do Omar-S também. De Wavves e de Micachu ainda não. Estados Unidos e Inglaterra, um rapaz e uma rapariga. Os dois criam sozinhos e à margem. Nathan Williams (Wavves) grava tudo e empacota em baixa fidelidade. Micachu grava com a banda, The Shapes, e deixa o Herbert produzir. Dois discos cacofónicos, um mais estridente e ruidoso, o de Wavves, e outro mais rítmico e experimental, o de Micachu. Dois discos estranhamente dançáveis e importantes agora. A cacofonia dançável é uma das leis internacionais mais fortes do ano.
Sábado, 2 de Maio de 2009
1º de Maio
Foi grande. Agradecer a presença de todos e pedir compreensão a quem não entrou. No fim, tal como eu tinha previsto um mês antes, o Santiago Alquimista foi mesmo pequeno demais. O texto que escrevi há um mês, que acabou por não ser o escolhido para promover a noite, resume bem o espírito vivido ontem no Santiago Alquimista. Acabei por ser o anfitrião omnipresente, atarefado com o trabalho de bastidores. Só tinha retirado o poço-moche em frente ao palco e colocado uma pista de baile. De resto, tudo muito grande. O texto:
A Amor Fúria apresenta o primeiro disco inteiro. Os Golpes apresentam "Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco”. Iniciam-se as noites “Amor Fúria apresenta no Santiago Alquimista”. No dia 1 de Maio trabalha-se para reconstruir o pope roque português, aquele que canta e se expressa na língua de Sophia de Mello Breyner e Ruy Belo, e claro, de Camões e Pessoa. Os Golpes trabalham para tornar um palco e um local de concertos algo maior, tão grande como a própria vida. Apresentam canções que querem ser nossas, as canções maiores de um disco mítico. Os concertos d'Os Golpes são transporte para um outro tempo e um outro espaço, um tempo feito de grandes bandas (Heróis do Mar, Sétima Legião, GNR) e um espaço português com salas de concertos cheias de história (Rock Rendez-Vous). Assistir a um concerto d'Os Golpes é entrar nos documentários que se fizeram sobre os Joy Division ou os Doors, ou mesmo sobre os Heróis do Mar. Mas está tudo a acontecer agora, aqui em Portugal, aqui em Lisboa, no ano de 2009.
Na primeira parte do concerto estarão duas das bandas que irão corporizar a pope portuguesa do futuro: Os Velhos e Os Capitães da Areia. O anfitrião será o Almirante Ramos, o alternador de discos, que irá lançar a senha que irá espoletar esta dança. Lisboa está convocada, Portugal está convocado. É hoje e o Santiago Alquimista poderá ser pequeno demais.
A Amor Fúria apresenta o primeiro disco inteiro. Os Golpes apresentam "Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco”. Iniciam-se as noites “Amor Fúria apresenta no Santiago Alquimista”. No dia 1 de Maio trabalha-se para reconstruir o pope roque português, aquele que canta e se expressa na língua de Sophia de Mello Breyner e Ruy Belo, e claro, de Camões e Pessoa. Os Golpes trabalham para tornar um palco e um local de concertos algo maior, tão grande como a própria vida. Apresentam canções que querem ser nossas, as canções maiores de um disco mítico. Os concertos d'Os Golpes são transporte para um outro tempo e um outro espaço, um tempo feito de grandes bandas (Heróis do Mar, Sétima Legião, GNR) e um espaço português com salas de concertos cheias de história (Rock Rendez-Vous). Assistir a um concerto d'Os Golpes é entrar nos documentários que se fizeram sobre os Joy Division ou os Doors, ou mesmo sobre os Heróis do Mar. Mas está tudo a acontecer agora, aqui em Portugal, aqui em Lisboa, no ano de 2009.
Na primeira parte do concerto estarão duas das bandas que irão corporizar a pope portuguesa do futuro: Os Velhos e Os Capitães da Areia. O anfitrião será o Almirante Ramos, o alternador de discos, que irá lançar a senha que irá espoletar esta dança. Lisboa está convocada, Portugal está convocado. É hoje e o Santiago Alquimista poderá ser pequeno demais.
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Centro de Desastres
Aproxima-se vertiginosamente a noite mais importante do ano. Os Golpes irão mostrar o porquê de serem a melhor banda ao vivo em actividade em Portugal. Já o eram há dois anos como Os 400 Golpes. Foi numa tarde de Abril, a 22 de Abril, que experienciei o meu primeiro concerto d'Os 400 Golpes. Foi no Espaço - Centro de Desastres e eu fui o primeiro a chegar ao local. Conheci nessa tarde o Manuel, que ainda não era Fúria, e o resto do gangue. Também foi a primeira vez que fiquei à porta a vender bilhetes para um concerto. Não foi o primeiro concerto d'Os 400 Golpes. O primeiro foi no Lumiar e o cartaz foi este. Daqui a dois dias, tal como há dois anos, nada será como antes.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Juventude de Lisboa
Acabo de chegar do concerto mais exclusivo do ano. Na passada noite de Domingo reuniu-se a juventude de Lisboa numa Fábrica Braço de Prata quase deserta, com uma sala a vibrar. O alinhamento compreendeu as proto-bandas o deserto branco, os quase Capitães da Areia e a menos proto-banda de todas, Os Velhos. Os Velhos já são uma banda, porque estão na fronteira da explosão para um público que sai fora do círculo de amigos. As duas primeiras estão também nesse caminho. Às canções do espaço da rede o deserto branco acrescentou os poderosos arranjos, com coros e tudo. Os Capitães da Areia e o Juno-60 estão prontos para sexta-feira e juntamente com Os Velhos, irão pôr a dançar o novo público sedento de boas canções.
Domingo, 26 de Abril de 2009
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Fotografia completa
Quem não entende que existe um fio condutor nas edições da Amor Fúria, nos vídeos que realizamos e no trabalho que temos vindo a fazer não pode ser bom conselheiro. A liberdade de espírito e a força das ideias são aquilo que nos move. E obviamente um grande amor à nossa língua e à pope escrita em português. Quem não entende que Os Golpes convivem bem com os Smix Smox Smux, que o Tiago Guillul tem muito a ver com Os Quais e que Os Velhos seguem o caminho d'Os Pontos Negros, não está a ver a fotografia completa. É esta a pátria ausente que Os Golpes cantam.


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