sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Bonita Hora

Que bonito, Fachada. Já escutei na íntegra o novo disco do B Fachada. Uma parte do pedido natalício já foi satisfeita. Das notas impressas neste novo disco inteiro já gosto mais. E da maioria das canções também. Tenho cá para mim que é este disco que vai pôr o Fachada a tocar nas rádios menos alternativas e a percorrer os pianos deste país. Será com este disco, ligeiro e mais romântico, que chegará ao coração das mulheres. Perdem-se as camadas da Viola Braguesa e os devaneios do Fim de Semana para o piano, as valsas e as harmonias consonantes ganharem. As letras são as dele, como sempre. Um disco-emblema e de autor. Assim, sem qualquer etiqueta. Era hora.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Bilionária

Há demasiado tempo que não escrevo sobre uma produção recente do Hip-Hop R&B. Uns dizem que o estilo já morreu há uns anos e voltou a morrer há umas semanas. Longa vida aos mortos. Por isso chamo a vossa atenção para uma das mais recentes produções de Polow da Don. Escrevi sobre ele o ano passado e este ano ainda não. Polow da Don produz o single de 50 Cent com o Ne-Yo, o "Baby by Me". 50 Cent, gigante. Ne-Yo, sedutor. Polow da Don, produtor. "Baby by Me" tem aqueles graves das primeiras produções de Polow e as partes mais delicadas de um bom êxito MTV. Faz todo o sentido, portanto, espetar aqui em baixo o vídeo de mais um bom tema Donoiano.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Pedido Natalício

Primeiro dia do último mês do ano e convencionou-se a ideia que lançar um disco, um longa duração, no fim do ano é uma má decisão comercial. Mas de comércio e de economia vivem mal as canções. É fim do ano então e as lojas estarão cheias de novos presentes e no meio deles dois discos, de dois cantores-autores próximos, que chegam às bancadas praticamente ao mesmo tempo. O do Samuel e o do Bernardo. Úria e Fachada. O tempo mostrou: há quem prefira a independência, individualidade e produtividade e há quem seja fiel à sua casa para sempre. Acredito surdamente que haja canções belas e sussurrantes nos dois discos à espera da minha compra natalícia. Como não compro nada no Natal alguém me ofereça então estas canções de fim de ano. É um pedido natalício.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Parede de Som

É bom chegar agora às The Crystals e entender a influência das suas canções e da produção de Phil Spector no presente da canção pópe. A começar na versão de "He Hit Me (It Felt Like A Kiss)" dos Grizzly Bear até ao início de "Then He Kissed Me" que é totalmente Animal Collective/Panda Bear. Soa então a familiar escutar The Crystals agora, como se o som das suas canções estivesse espalhado pelas amostras usadas na produção moderna. O resto é a tal produção revolucionária à qual já estamos tão habituados que já faz parte da forma como ouvimos canções. É a tal parede de som.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Dicionários herméticos

Enquanto aguardo a chegada dos discos compactos para a possível sequência "Lithium", "Popular" e "Undone - The Sweater Song" de mais logo, troco mensagens na ferramenta de relacionamento social. E chego a conclusões. Concluo que estou a tornar-me hermético. Fechado e completamente obscuro. Concluo igualmente que os meus dicionários estão ali à distância de um clique. Os meus dicionários actuais são três. A Maria, a Joana e o Francisco. Nestes três dicionários habitam os significados de três almas e de três poetas. Ah, a papoila embrutecida, os espíritos e a composição férrea. Mais logo, no Alquimista, a definição de Feromona.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

O Inventor

Não acompanhei O Céu ou Las Vegas. Cheguei lá, ao disco, depois de conhecer o Manuel. Esta semana o Manuel regressa com O Inventor. Volta a roubar o nome a uma canção dos Heróis do Mar e o ano no subtítulo é o da conquista de Ceuta. A blogosfera pode já não ser o sítio onde se projectam os sonhos. Nunca o foi. Escrever e partilhar o nosso conhecimento é acrescentar riqueza ao dia-a-dia. E hoje, que Ceuta é que estará por conquistar. E hoje, qual será o mar que faltará navegar. E hoje, qual será o Brasil em que iremos aterrar. Continua a ser muito difícil dar a entender o que é Portugal. Bem-vindo de volta, amigo.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Património líquido

Os tempos que se aproximam são tempos de balanço. O balanço pressupõe um activo e um passivo. A diferença entre o activo e o passivo é o património líquido. O património criado já começa a ser visível e já faz parte do passado e do presente. Há um caminho diferente que novos actores parecem querer trilhar, apesar dos escolhos. E quanto a esses é preciso distância e afastamento. Os tempos que se aproximam são também tempos de desafio. Ainda há muito caminho por percorrer, por isso é necessário continuar a desafiar quem quer dançar um baile diferente. As canções não terão fim, tal como as opiniões. Seja como alternador de discos, seja como produtor, este é o tempo para continuar a criar património. Património líquido.

sábado, 21 de Novembro de 2009

"Ano Certo"



Não tenho por hábito colocar capas de discos nas mensagens do blogue, mas a urgência deste sete polegadas é demasiada e os blogues também são consequência do impulso da escrita e da necessidade de partilha constante. A imagem que estão a ver ali em cima é do sete polegadas de Best Coast na editora Black Iris. A tal banda que só lança sete polegadas. Com este vão três e ainda falta o quarto a lançar na PPM. Este da Black Iris contém a incrível "When I'm With You", uma das minhas canções do ano. Best Coast em 2009 é como Arcade Fire em 2004. Ou como Vampire Weekend em 2007. Será a banda que todos vão conhecer só no ano seguinte e a parte do mundo que conheceu no "ano certo" vai fazer questão de dizer isso mesmo o resto da vida.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Clássico do Hip Hop #8

Ao fim de sete entradas é inevitável regressar ao Wu-Tang Clan. Desta vez através de Raekwon. Raekwon The Chef. Esta entrada é inteiramente dedicada a "Ice Cream". É a décima quinta faixa do primordial disco Only Built 4 Cuban Linx... e é produzida por RZA. "Ice Cream" conta também com os versos de Method Man, Ghostface Killah e Cappadonna, além de Raekwon obviamente. Uma prova clara e objectiva da eficácia do rap destes quatro rapazes e um hino a todas as carrinhas de venda gelados e à sua passagem pela vila. Depois delas, nada fica como antes. O vídeo segue a linha metafórica das palavras ditas, misturando perigosamente os inúmeros sabores e o discurso solto e directo dos intervenientes.



Artista: Raekwon
Faixa: Ice Cream
Álbum: Only Built 4 Cuban Linx...
Ano: 1995
Verso: Watch these rap niggaz get all up in your guts
French-vanilla, butter-pecan, chocolate-deluxe

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segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Abençoados

É costume dizer que a chuva abençoa. Já repararam na grandeza desta imagem. A chuva abençoa-nos. Os tempos de chuva são, de uma certa maneira, tempos de dizer bem e dar graças por tudo aquilo que já aconteceu. Isto é, o calor já lá vai, por isso agradecemos e somos abençoados. Tudo é imagem. O real, no entanto, está bem vivo. A realidade mostra que a viagem ao Norte foi uma benção. Afinal as imagens podem ser reais, os sonhos podem ser realizados e até a chuva aparece para abençoar a terra e o asfalto. Há uns anos que estavam desorientados, e ainda estarão, mas agora cada vez mais abençoados.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Cê Kapa

Caro Lourenço, com que então os Strokes acabaram. Concordo. The Strokes. Felizmente a minha "bóia de salvação" é outra. Gostava era de saber o que teria acontecido ao Rock, com cê kapa, se os Strokes não tivessem existido. Para já, deixariam de existir comparações com eles e isso acabaria com os trocadilhos fáceis como Strokes de Queluz ou Strokes de Lisboa. Depois, o Rock seria quase todo igual ao Rock, ou melhor, Pós-Rock, dos Radiohead dos anos zero e isso seria uma quase chatice. Por isso, já que te hiperligo, concordo quase-sempre com o que pensas, mas aquilo que foi escrito há uns meses num jornal não foi uma crítica a um disco. Foi outra coisa, mas crítica a um disco não foi. A antropologia é que é interessante como tema de discussão.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Início e Desenvolvimento

Hoje, daqui a umas horas, a aventura roque éne role parte rumo ao Norte. É com tristeza que não acompanho a comitiva. Os Velhos e os Lobos Maus partem à descoberta. À descoberta de novos públicos, de novos olhares e de novas danças. Celebra-se o início. O início de alguma coisa que já começou mas ainda não começou mesmo. A primeira volta fora de casa é sempre única e irrepetível, feita de emoções e alegrias das primeiras vezes. Estarei convosco em espírito murmurando as canções. Por cá, anuncia-se o cartaz do festival mais importante desta época. A presença de duas bandas editadas na casa ali ao lado é motivo de festejo. É o desenvolvimento normal do percurso das bandas do futuro.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Loiraças

Para entender como de um momento para o outro aparecem mil bandas novas é necessário olhar com atenção para a evolução de uma banda californiana chamada Pearl Harbor. A maioria de vós não conhecerá ainda esta banda, mas não faltará muito para conhecerem. Esta banda será o próximo caso de estudo sobre bandas novas que podem vir a ser grandes durante uma semana no próximo ano. Para já as canções que circulam na rede, devido à partilha do blogue gorilacontraurso, permitem escutar uma banda com melodias fortíssimas e o tal cheiro a Califórnia que paira em cada segundo da audição. Com duas loiraças na formação e na imagem da banda têm tudo para ir muito longe e chegar à galeria zé dos bois no próximo ano.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Rubens



São Jorge e o Dragão
Peter Paul Rubens (1606-1607)
Óleo sobre tela
427 × 312 cm
Museu do Prado, Madrid, Espanha

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Sobre a mistificação

Só agora é que tive tempo para ler tudo. Todo o artigo do Rodrigo Nogueira e todas as hiperligações do mesmo que resumem a vida de todos nós. Vale mesmo a pena a ler tudo, mesmo que tome alguns preciosos minutos da nossa vida. Cheguei ao fim da leitura e não compreendi. E agora estou completamente perdido, a minha vida perdeu todo o sentido e já não sei se gosto mesmo de todas as bandas referidas no artigo, incluindo os Black Lips. Estava a pensar ir ao concerto da próxima quarta-feira com uma tixârte do gajo de Wavves. Mas depois desta leitura perdi a vontade. Não compreendo. A vida já não tem sentido. A vida é uma mistificação.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Solo Piano

Ontem fui ao concerto de Gonzales ao Piano a solo. A igreja da Culturgest encheu-se para receber o excêntrico e egocêntrico canadiano. Gostei bastante do concerto, apesar de ter dispensado o segundo regresso ao palco. Foi entretenimento a bom preço, porque ainda tenho menos de 30 anos. Gonzales encarnou a sua personagem, tocou algumas canções do novo disco e depois desconstruiu temas clássicos e alguns êxitos da década de 80. No meio disto tudo também fez rap e colocou o público a fazer as batidas. Ainda afirmou que o Hip Hop permite mostrar aos outros o que tu queres que os outros pensem quem tu és. Aula importante esta. Este blogue, como sabem, é um blogue de Hip Hop.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Disco Disco Disco #5

Depois de uma semana a gravar um disco é necessário voltar a esta rubrica. Desta vez relembro Cerrone e a sua estreia a solo. Foi com "Love in C Minor" que Cerrone iniciou a sua carreira a solo. Ainda nessa altura era o baterista do agrupamento Kongas e antes foi responsável pelo recrutamento de artistas e bandas para o Club Med. Com a ajuda de Alec R. Costandinos, Cerrone criou o primeiro êxito de música de dança com toque francês e o resto é história. São dezasseis minutos em busca do prazer total. Como a versão longa não existe em vídeo fica a versão curta, e começa aos seis segundos, que está no DVD Cerrone Culture de 2004.



Artista: Cerrone
Faixa: Love in C Minor
Produtores: Cerrone e Alec R. Costandinos
Ano: 1976
Facto: "Diners Only" de The Avalanches tem uma amostra recolhida de "Love in C Minor".

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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Seattle-Lisboa-Alfama

Ainda foi ontem. O convite da Feromona para alternar discos no lançamento do primeiro disco e agora chegou a hora de fazer uma espécie de retribuição: uma casa em Cascais para ser o estúdio de gravação do segundo disco. A Feromona não se faz de rogada e tomou de assalto a humidade das paredes brancas daquele quarto na casa da avenida íngreme. E promete mais poder na guitarra e na secção rítmica do que no primeiro disco e um retrato ainda mais alvi-negro-celeste da cidade e do homem. Roque éne Role a rasgar, canções lentas e poderosas, e palavras desiludidamente novas. Sim, é roque com quê de quá-quá. Aquele de Seattle-Lisboa-Alfama, Portugal.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Balear

E de um instante para o outro nasce um novo som. Preparam-se as novas colheitas e pensa-se no que virá para a frente. Se no lado azul está tudo preparado para gravar para depois misturar, no lado praia a definição começa a chegar. Será balear. Balear. Lá para o fim da próxima Primavera já deverá existir algo mais concreto e final. A Praia Grande nasceu e nasceu com força. Numa madrugada em que nada acontecia e resolvi queimar tempo a estudar alguns temas que me despertaram a atenção. E este foi o instante, o instante em que tudo aconteceu e esse tempo já não volta mais. Um instante balear. Balear.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Direito e Amostras

O debate está na ordem do dia à custa de "Feel it All Around" de Washed Out que tem uma amostra do tema "I Want You" de Gary Low. O direito ao uso de amostras para criar novas canções. A minha opinião é simples neste caso e é a seguinte: seja qual for a forma de uso da amostra esta deve ser permitida sempre, sem autorização e sem qualquer contra-partida financeira até ao momento em que há um ganho extra, um bónus, com a canção em que se usou a amostra. Isto cria vários cenários sobre os direitos de autor e de publicação. Não quero pensar nisso agora. Outro pensamento com o qual me identifico é o do DJ Shadow e fica aqui em inglês:

When I sample something, it's because there's something ingenious about it.

Leitura adicional

sábado, 24 de Outubro de 2009

Fazer Coisas

Li um dia uma frase por aí, completamente redutora, que tentava explicar o que são os movimentos musicais e o aparecimento de novas bandas. Escrevia-se qualquer coisa como: “Isto é tudo malta que quer é fazer coisas”. Nada mais errado. Malta a querer fazer coisas é praticamente o mundo todo. O autor desta frase esquece-se que é complicado estar no sítio certo no momento certo e que isso exige trabalho, talento e sabedoria. Daqui, deste ponto privilegiado, observo o nascimento de muitas vontades e de muita vontade de fazer. Mas isso não basta, fazer coisas não basta. É preciso trabalho e talento. E sabedoria. Muita sabedoria.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Comentários

Se fizer uma retrospectiva deste blogue é inevitável observar uma evolução. No início dava mais espaço ao anúncio das actividades furiosas e com o nascimento do blogue da Amor Fúria deixei de usar a Ribeira. Passei a escrever do ponto de vista de quem observa, mas de dentro e não de fora. Curiosamente, a partir daí, algumas almas passaram a confundir as palavras que escrevia com as actividades que exercia. As caixas de comentários encheram-se de discussões acesas mas inócuas. Terei sido inocente ao acreditar que seria possível a separação entre a tarefa e a observação. Já perdi parte da inocência e pensei em acabar os comentários. Reconsiderei e valorizei a parte positiva de manter o blogue aberto aos comentários. Sem moderação excluindo os anónimos. Reservo contudo o direito de remover os comentários que julgue ofensivos e principalmente tolos.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Canções, vídeos e sete polegadas

Ainda relacionado com a mensagem anterior, apetece-me destacar uma canção de uma banda não referida no artigo sobre o Verão e as suas zonas geográficas preferenciais. Trata-se da banda Best Coast, que é constituída por Bethany Consentino e Bobb Bruno. Bethany Consentino que saiu recentemente das Pocahaunted. Ando a escutar a cassette Where The Boys Are, gravada apenas por Bethany Consentino e também algumas canções perdidas, de alguns sete polegadas, que a banda pretende ir lançando de tempos a tempos, como se estivesse na época dourada dos singles. Uma das canções ganhou um vídeo e é essa mesmo que quero destacar. "Something in the Way", Best Coast, realizado por Joseph Kell.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O Verão é um Furacão

Começo por referir o artigo "Brisa de Verão" do Vítor Belanciano no i grego da nossa terra. O exemplo maior da forma como se fazem alguns artigos sobre a pópe hoje em dia. Escolhe-se um tema, algumas zonas geográficas e algumas bandas referidas nos meios mais prestigiados da rede mundial dos computadores. Depois pega-se nalguns testemunhos, mistura-se tudo e faz-se um batido sortido. Brisa de Verão não, o Verão é um furacão. Só costumo ler tantos nomes de bandas em tão poucas linhas nas listas do fim do ano. Talvez seja preferível sacar os artistas parecidos via last.fm e verificar que afinal já é Outono e o vento está cada vez mais forte, não?

sábado, 17 de Outubro de 2009

Estranhos

As bandas têm sempre um caminho traçado. As bandas nascem para morrer. Têm acabado algumas bandas nos últimos dias. Em comum a origem, portuguesa, e a língua em que cantavam, inglesa. É também natural que as canções das bandas com estas características morram mais cedo que as que são fiéis à sua origem. A única forma de estar numa banda estrangeira no próprio país é ambicionar a internacionalização no hiper-fragmentado mercado mundial. Tal como as bandas estrangeiras no próprio país lá de fora o fazem. Se é para ser eternamente um estranho na própria pátria mais vale acabar. E a pópe nunca permitiu uma longa vida, quanto mais para os estranhos.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Os Surfistas

As imagens de ontem já estão arquivadas. Podia escrever que o concerto de ontem ficaria na história do Roque Português e deste movimento. Mas para quê? O concerto de ontem é das pessoas que o tornaram possível e estiveram presentes. De um lado a banda, Os Velhos, e do outro o público, Os Surfistas. Não tenho na memória outro concerto com tanto surfe de multidão. Aos primeiros acordes das canções, lá iam eles para as ondas. Foi tudo incrivelmente rápido e pegando nas palavras do Francisco Xavier: "foi fixe, divertimo-nos". Para os velhos foi só mais um concerto e será sempre assim. Para os surfistas uma noite de ondas inesquecíveis e também vai ser sempre assim.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Falso mas Moderno

Ontem vi-me ao espelho, ao assistir à peça FAKE, escrita pela marítima Joana dos Espíritos e criada e interpretada por Joana Barrios. Ver-me ao espelho é uma forma de expressão. A minha geração viu-se ao espelho. Eu faço parte da minha geração, quer queira quer não. Mas não sou aquela personagem. Não existem personagens assim. Uma manta de retalhos de uma geração falsa mas moderna. O retrato de um país falso mas moderno. A derivação do destino que é viver no nosso país e na capital do império. Um país irreal. Como a canção "Irreal Social" dos BAN, que define se és fixe ou não. Se gostas és fixe. Se não gostas és falso. Mas moderno.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Feriado Municipal

Na próxima Quarta-Feira será dado o tiro de partida para dar início à próxima década. De certa forma, o debute em nome próprio de uma banda como Os Velhos, na noite de Lisboa que quer dançar a meio da semana, marcará o começo de uma década nova com raízes nos últimos anos desta década que já começou a despedir-se. A metáfora é precisa: as sementes plantadas ao longo dos últimos anos começam a dar frutos. Os Velhos, um dos ramos mais fortes e centrais de uma geração que escolheu viver a vida. Como todos os Santos. Razão suficiente e justa para declarar o próximo catorze de Outubro feriado municipal.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Combinação Selvagem



Finalmente vi o documentário Wild Combination: A Portrait of Arthur Russell. Servirá sobretudo para entrar no mundo de Russell e é assumidamente incompleto. Por isso acaba por levar à descoberta, à descoberta da combinação selvagem que foi a vida de Arthur Russell. Um dos artistas cuja obra mais admiro. Prefiro chamar-lhe um homem contemporâneo do que um génio. Génios são os cientistas. O mundo de Arthur Russell continua a ser um dos mais desconhecidos de toda a cultura pop e é imperioso que o seu nome e o seu catálogo continue a chegar a cada vez mais gente.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Apenas mais um #2

Um: escrevi disto como quem lê isto. Um artigo sobre Girls a perseguir a pópe sonhadora e os pores-do-sol em São Francisco. Como já interroguei antes, será a pópe arte? A canção faz parte da vida? Sim, com certeza. A vida será feita de canções mas muito mais que isso. Hierarquias ou teorias dos conjuntos. Dois: o disco é um bom disco, pleno de sonho e de exercício de memória. Um conjunto de canções que recorda os primeiros tempos do rock, a pópe dos anos 60 e o shoegaze do final dos anos 80 dos grupos do Reino Unido. O vídeo que acompanha a mensagem demonstra a última parte da equação anterior e deste modo faço as pazes com a maioria e com a luz da manhã.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Prioridades

Quando não se compra o bilhete a tempo os bilhetes podem esgotar. Aconteceu-me na última semana com o concerto de Quinta-Feira na Zé dos Bois. Ainda fiquei na lista de espera, mas por não ter a certeza que entraria fiquei a descansar depois de uma semana de baixas tensões. Logo, não assisti ao concerto de Fuck Buttons. A minha relação com esta banda ficou no primeiro disco. Um disco interessante com barulho do bom. O segundo ainda não ouvi. É consequência de existirem prioridades. Primeiro os nossos, obviamente. Depois, se sobrar tempo, os outros. Infelizmente as prioridades dos restantes parecem ser outras.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Garagem da Rua das Chagas



Os Velhos. Da direita para a esquerda, Sebastião, P. Lucas, Francisco Xavier e Zé Preguiça.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Apenas mais um

Caro Adriano, tiras-me as palavras da boca. Sobre o Album de Girls, que mostra bem hoje que um "bom" número no sítio "certo" faz disparar a notoriedade de uma banda. É que é mesmo como dizes, o disco incita à criação e não à adoração. Por aqui é cada vez mais difícil adorar a sério alguma coisa. Sejam os antigos, sejam os novos. A vida acima disto sempre. Girls é bom, claro. Canções de fazer amor. Na vertical ou na horizontal. É apenas mais um. Mais um criador, um bom criador de canções, daquelas que já ouvimos desde sempre. Como qualquer disco com algum sol feito na Califórnia. Em Lisboa, como o Outono comprova, também há sol.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Clássico do Hip Hop #7

Em 2009, Jay-Z já ultrapassou Elvis Presley no número de álbuns lançados a chegar ao primeiro lugar da tabela de vendas nos Estados Unidos. O relevo não irá para este facto nesta entrada. O relevo irá para o tema "Hard Knock Life (Ghetto Anthem)", presente no terceiro disco de Jay-Z, estabelecido no subterrâneo com Reasonable Doubt e dando um passo para o predomínio com o segundo disco. O terceiro disco é algo inconstante, por isso mesmo uma grande canção destaca-se ainda mais. Aproveitando uma amostra do tema com o mesmo nome do musical Annie e com a produção de 45 King, a canção é incrivelmente simples mas de uma eficácia atroz. Por direito próprio e para sempre no salão da fama do género e possivelmente tão grande como "Love Me Tender".



Artista: Jay-Z
Faixa: Hard Knock Life (Ghetto Anthem)
Álbum: Vol. 2... Hard Knock Life
Ano: 1998
Verso: From standin on the corners boppin
to drivin some of the hottest cars New York has ever seen

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sábado, 26 de Setembro de 2009

Estilo de vida

Sair do trabalho, na zona dos Anjos, para ir até ao Chiado assistir ao concerto de Blues Control. O trânsito caótico de uma sexta-feira à noite e decidimos estacionar na zona do Rato. Saímos e caminhamos a pé pela rua com mais charme de Lisboa, o conjunto Escola Politécnica, Dom Pedro V, São Pedro de Alcântara, Misericórdia, Alecrim. É precisamente no miradouro de São Pedro de Alcântara que paramos. Olhamos e descemos ao jardim dos bustos. Sentamo-nos enquanto a miúda do quiosque escolhe os temas que escutamos: Daft Punk, Phoenix, Empire of the Sun. Subimos e seguimos até ao Museu do Chiado. Assistimos primeiro à instalação sonora e visual da Tropa Macaca e depois à enorme lição ao vivo de Blues Control. O caminho de volta é feito com um disco na mão com a capa mais fixe do ano. No bairro não se conseguia passar tal era a multidão. Estilo de vida ou apenas mais uma noite vulgar na nossa cidade.