sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Sobre a mistificação

Só agora é que tive tempo para ler tudo. Todo o artigo do Rodrigo Nogueira e todas as hiperligações do mesmo que resumem a vida de todos nós. Vale mesmo a pena a ler tudo, mesmo que tome alguns preciosos minutos da nossa vida. Cheguei ao fim da leitura e não compreendi. E agora estou completamente perdido, a minha vida perdeu todo o sentido e já não sei se gosto mesmo de todas as bandas referidas no artigo, incluindo os Black Lips. Estava a pensar ir ao concerto da próxima quarta-feira com uma tixârte do gajo de Wavves. Mas depois desta leitura perdi a vontade. Não compreendo. A vida já não tem sentido. A vida é uma mistificação.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Solo Piano

Ontem fui ao concerto de Gonzales ao Piano a solo. A igreja da Culturgest encheu-se para receber o excêntrico e egocêntrico canadiano. Gostei bastante do concerto, apesar de ter dispensado o segundo regresso ao palco. Foi entretenimento a bom preço, porque ainda tenho menos de 30 anos. Gonzales encarnou a sua personagem, tocou algumas canções do novo disco e depois desconstruiu temas clássicos e alguns êxitos da década de 80. No meio disto tudo também fez rap e colocou o público a fazer as batidas. Ainda afirmou que o Hip Hop permite mostrar aos outros o que tu queres que os outros pensem quem tu és. Aula importante esta. Este blogue, como sabem, é um blogue de Hip Hop.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Disco Disco Disco #5

Depois de uma semana a gravar um disco é necessário voltar a esta rubrica. Desta vez relembro Cerrone e a sua estreia a solo. Foi com "Love in C Minor" que Cerrone iniciou a sua carreira a solo. Ainda nessa altura era o baterista do agrupamento Kongas e antes foi responsável pelo recrutamento de artistas e bandas para o Club Med. Com a ajuda de Alec R. Costandinos, Cerrone criou o primeiro êxito de música de dança com toque francês e o resto é história. São dezasseis minutos em busca do prazer total. Como a versão longa não existe em vídeo fica a versão curta, e começa aos seis segundos, que está no DVD Cerrone Culture de 2004.



Artista: Cerrone
Faixa: Love in C Minor
Produtores: Cerrone e Alec R. Costandinos
Ano: 1976
Facto: "Diners Only" de The Avalanches tem uma amostra recolhida de "Love in C Minor".

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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Seattle-Lisboa-Alfama

Ainda foi ontem. O convite da Feromona para alternar discos no lançamento do primeiro disco e agora chegou a hora de fazer uma espécie de retribuição: uma casa em Cascais para ser o estúdio de gravação do segundo disco. A Feromona não se faz de rogada e tomou de assalto a humidade das paredes brancas daquele quarto na casa da avenida íngreme. E promete mais poder na guitarra e na secção rítmica do que no primeiro disco e um retrato ainda mais alvi-negro-celeste da cidade e do homem. Roque éne Role a rasgar, canções lentas e poderosas, e palavras desiludidamente novas. Sim, é roque com quê de quá-quá. Aquele de Seattle-Lisboa-Alfama, Portugal.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Balear

E de um instante para o outro nasce um novo som. Preparam-se as novas colheitas e pensa-se no que virá para a frente. Se no lado azul está tudo preparado para gravar para depois misturar, no lado praia a definição começa a chegar. Será balear. Balear. Lá para o fim da próxima Primavera já deverá existir algo mais concreto e final. A Praia Grande nasceu e nasceu com força. Numa madrugada em que nada acontecia e resolvi queimar tempo a estudar alguns temas que me despertaram a atenção. E este foi o instante, o instante em que tudo aconteceu e esse tempo já não volta mais. Um instante balear. Balear.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Direito e Amostras

O debate está na ordem do dia à custa de "Feel it All Around" de Washed Out que tem uma amostra do tema "I Want You" de Gary Low. O direito ao uso de amostras para criar novas canções. A minha opinião é simples neste caso e é a seguinte: seja qual for a forma de uso da amostra esta deve ser permitida sempre, sem autorização e sem qualquer contra-partida financeira até ao momento em que há um ganho extra, um bónus, com a canção em que se usou a amostra. Isto cria vários cenários sobre os direitos de autor e de publicação. Não quero pensar nisso agora. Outro pensamento com o qual me identifico é o do DJ Shadow e fica aqui em inglês:

When I sample something, it's because there's something ingenious about it.

Leitura adicional

sábado, 24 de Outubro de 2009

Fazer Coisas

Li um dia uma frase por aí, completamente redutora, que tentava explicar o que são os movimentos musicais e o aparecimento de novas bandas. Escrevia-se qualquer coisa como: “Isto é tudo malta que quer é fazer coisas”. Nada mais errado. Malta a querer fazer coisas é praticamente o mundo todo. O autor desta frase esquece-se que é complicado estar no sítio certo no momento certo e que isso exige trabalho, talento e sabedoria. Daqui, deste ponto privilegiado, observo o nascimento de muitas vontades e de muita vontade de fazer. Mas isso não basta, fazer coisas não basta. É preciso trabalho e talento. E sabedoria. Muita sabedoria.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Comentários

Se fizer uma retrospectiva deste blogue é inevitável observar uma evolução. No início dava mais espaço ao anúncio das actividades furiosas e com o nascimento do blogue da Amor Fúria deixei de usar a Ribeira. Passei a escrever do ponto de vista de quem observa, mas de dentro e não de fora. Curiosamente, a partir daí, algumas almas passaram a confundir as palavras que escrevia com as actividades que exercia. As caixas de comentários encheram-se de discussões acesas mas inócuas. Terei sido inocente ao acreditar que seria possível a separação entre a tarefa e a observação. Já perdi parte da inocência e pensei em acabar os comentários. Reconsiderei e valorizei a parte positiva de manter o blogue aberto aos comentários. Sem moderação excluindo os anónimos. Reservo contudo o direito de remover os comentários que julgue ofensivos e principalmente tolos.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Canções, vídeos e sete polegadas

Ainda relacionado com a mensagem anterior, apetece-me destacar uma canção de uma banda não referida no artigo sobre o Verão e as suas zonas geográficas preferenciais. Trata-se da banda Best Coast, que é constituída por Bethany Consentino e Bobb Bruno. Bethany Consentino que saiu recentemente das Pocahaunted. Ando a escutar a cassette Where The Boys Are, gravada apenas por Bethany Consentino e também algumas canções perdidas, de alguns sete polegadas, que a banda pretende ir lançando de tempos a tempos, como se estivesse na época dourada dos singles. Uma das canções ganhou um vídeo e é essa mesmo que quero destacar. "Something in the Way", Best Coast, realizado por Joseph Kell.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O Verão é um Furacão

Começo por referir o artigo "Brisa de Verão" do Vítor Belanciano no i grego da nossa terra. O exemplo maior da forma como se fazem alguns artigos sobre a pópe hoje em dia. Escolhe-se um tema, algumas zonas geográficas e algumas bandas referidas nos meios mais prestigiados da rede mundial dos computadores. Depois pega-se nalguns testemunhos, mistura-se tudo e faz-se um batido sortido. Brisa de Verão não, o Verão é um furacão. Só costumo ler tantos nomes de bandas em tão poucas linhas nas listas do fim do ano. Talvez seja preferível sacar os artistas parecidos via last.fm e verificar que afinal já é Outono e o vento está cada vez mais forte, não?

sábado, 17 de Outubro de 2009

Estranhos

As bandas têm sempre um caminho traçado. As bandas nascem para morrer. Têm acabado algumas bandas nos últimos dias. Em comum a origem, portuguesa, e a língua em que cantavam, inglesa. É também natural que as canções das bandas com estas características morram mais cedo que as que são fiéis à sua origem. A única forma de estar numa banda estrangeira no próprio país é ambicionar a internacionalização no hiper-fragmentado mercado mundial. Tal como as bandas estrangeiras no próprio país lá de fora o fazem. Se é para ser eternamente um estranho na própria pátria mais vale acabar. E a pópe nunca permitiu uma longa vida, quanto mais para os estranhos.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Os Surfistas

As imagens de ontem já estão arquivadas. Podia escrever que o concerto de ontem ficaria na história do Roque Português e deste movimento. Mas para quê? O concerto de ontem é das pessoas que o tornaram possível e estiveram presentes. De um lado a banda, Os Velhos, e do outro o público, Os Surfistas. Não tenho na memória outro concerto com tanto surfe de multidão. Aos primeiros acordes das canções, lá iam eles para as ondas. Foi tudo incrivelmente rápido e pegando nas palavras do Francisco Xavier: "foi fixe, divertimo-nos". Para os velhos foi só mais um concerto e será sempre assim. Para os surfistas uma noite de ondas inesquecíveis e também vai ser sempre assim.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Falso mas Moderno

Ontem vi-me ao espelho, ao assistir à peça FAKE, escrita pela marítima Joana dos Espíritos e criada e interpretada por Joana Barrios. Ver-me ao espelho é uma forma de expressão. A minha geração viu-se ao espelho. Eu faço parte da minha geração, quer queira quer não. Mas não sou aquela personagem. Não existem personagens assim. Uma manta de retalhos de uma geração falsa mas moderna. O retrato de um país falso mas moderno. A derivação do destino que é viver no nosso país e na capital do império. Um país irreal. Como a canção "Irreal Social" dos BAN, que define se és fixe ou não. Se gostas és fixe. Se não gostas és falso. Mas moderno.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Feriado Municipal

Na próxima Quarta-Feira será dado o tiro de partida para dar início à próxima década. De certa forma, o debute em nome próprio de uma banda como Os Velhos, na noite de Lisboa que quer dançar a meio da semana, marcará o começo de uma década nova com raízes nos últimos anos desta década que já começou a despedir-se. A metáfora é precisa: as sementes plantadas ao longo dos últimos anos começam a dar frutos. Os Velhos, um dos ramos mais fortes e centrais de uma geração que escolheu viver a vida. Como todos os Santos. Razão suficiente e justa para declarar o próximo catorze de Outubro feriado municipal.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Combinação Selvagem



Finalmente vi o documentário Wild Combination: A Portrait of Arthur Russell. Servirá sobretudo para entrar no mundo de Russell e é assumidamente incompleto. Por isso acaba por levar à descoberta, à descoberta da combinação selvagem que foi a vida de Arthur Russell. Um dos artistas cuja obra mais admiro. Prefiro chamar-lhe um homem contemporâneo do que um génio. Génios são os cientistas. O mundo de Arthur Russell continua a ser um dos mais desconhecidos de toda a cultura pop e é imperioso que o seu nome e o seu catálogo continue a chegar a cada vez mais gente.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Apenas mais um #2

Um: escrevi disto como quem lê isto. Um artigo sobre Girls a perseguir a pópe sonhadora e os pores-do-sol em São Francisco. Como já interroguei antes, será a pópe arte? A canção faz parte da vida? Sim, com certeza. A vida será feita de canções mas muito mais que isso. Hierarquias ou teorias dos conjuntos. Dois: o disco é um bom disco, pleno de sonho e de exercício de memória. Um conjunto de canções que recorda os primeiros tempos do rock, a pópe dos anos 60 e o shoegaze do final dos anos 80 dos grupos do Reino Unido. O vídeo que acompanha a mensagem demonstra a última parte da equação anterior e deste modo faço as pazes com a maioria e com a luz da manhã.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Prioridades

Quando não se compra o bilhete a tempo os bilhetes podem esgotar. Aconteceu-me na última semana com o concerto de Quinta-Feira na Zé dos Bois. Ainda fiquei na lista de espera, mas por não ter a certeza que entraria fiquei a descansar depois de uma semana de baixas tensões. Logo, não assisti ao concerto de Fuck Buttons. A minha relação com esta banda ficou no primeiro disco. Um disco interessante com barulho do bom. O segundo ainda não ouvi. É consequência de existirem prioridades. Primeiro os nossos, obviamente. Depois, se sobrar tempo, os outros. Infelizmente as prioridades dos restantes parecem ser outras.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Garagem da Rua das Chagas



Os Velhos. Da direita para a esquerda, Sebastião, P. Lucas, Francisco Xavier e Zé Preguiça.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Apenas mais um

Caro Adriano, tiras-me as palavras da boca. Sobre o Album de Girls, que mostra bem hoje que um "bom" número no sítio "certo" faz disparar a notoriedade de uma banda. É que é mesmo como dizes, o disco incita à criação e não à adoração. Por aqui é cada vez mais difícil adorar a sério alguma coisa. Sejam os antigos, sejam os novos. A vida acima disto sempre. Girls é bom, claro. Canções de fazer amor. Na vertical ou na horizontal. É apenas mais um. Mais um criador, um bom criador de canções, daquelas que já ouvimos desde sempre. Como qualquer disco com algum sol feito na Califórnia. Em Lisboa, como o Outono comprova, também há sol.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Clássico do Hip Hop #7

Em 2009, Jay-Z já ultrapassou Elvis Presley no número de álbuns lançados a chegar ao primeiro lugar da tabela de vendas nos Estados Unidos. O relevo não irá para este facto nesta entrada. O relevo irá para o tema "Hard Knock Life (Ghetto Anthem)", presente no terceiro disco de Jay-Z, estabelecido no subterrâneo com Reasonable Doubt e dando um passo para o predomínio com o segundo disco. O terceiro disco é algo inconstante, por isso mesmo uma grande canção destaca-se ainda mais. Aproveitando uma amostra do tema com o mesmo nome do musical Annie e com a produção de 45 King, a canção é incrivelmente simples mas de uma eficácia atroz. Por direito próprio e para sempre no salão da fama do género e possivelmente tão grande como "Love Me Tender".



Artista: Jay-Z
Faixa: Hard Knock Life (Ghetto Anthem)
Álbum: Vol. 2... Hard Knock Life
Ano: 1998
Verso: From standin on the corners boppin
to drivin some of the hottest cars New York has ever seen

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sábado, 26 de Setembro de 2009

Estilo de vida

Sair do trabalho, na zona dos Anjos, para ir até ao Chiado assistir ao concerto de Blues Control. O trânsito caótico de uma sexta-feira à noite e decidimos estacionar na zona do Rato. Saímos e caminhamos a pé pela rua com mais charme de Lisboa, o conjunto Escola Politécnica, Dom Pedro V, São Pedro de Alcântara, Misericórdia, Alecrim. É precisamente no miradouro de São Pedro de Alcântara que paramos. Olhamos e descemos ao jardim dos bustos. Sentamo-nos enquanto a miúda do quiosque escolhe os temas que escutamos: Daft Punk, Phoenix, Empire of the Sun. Subimos e seguimos até ao Museu do Chiado. Assistimos primeiro à instalação sonora e visual da Tropa Macaca e depois à enorme lição ao vivo de Blues Control. O caminho de volta é feito com um disco na mão com a capa mais fixe do ano. No bairro não se conseguia passar tal era a multidão. Estilo de vida ou apenas mais uma noite vulgar na nossa cidade.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Sem ortodoxia

Sem tirar nem pôr, não tenho a mínima dúvida ao afirmar que a banda Diabo Na Cruz será próxima coisa grande nesta terra de loucos que estão certos. A mistura tradição que desagua no róque independente da escola portuguesa dos anos 00 tanto dará para o menino mais estudante dançar como para a rapariga de gancho em vias de extinção dizer que não gosta, para depois entrar no baile. A grande banda está já reunida e o trintão Cruz convocou o Fachada, o Barata, o Pinheiro e o Gil para a grande fanfarra. E atenção, o fonograma não contém ortodoxia cristã. Assim, sem ortodoxia.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Hipnagogia e Hauntologia

Existem poucas coisas que leio até ao fim. Uma das últimas coisas que li até ao fim foi o artigo na revista The Wire sobre Hypnagogic Pop escrito por David Keenan. Uma das mais interessantes reacções ao já famoso artigo na revista The Wire está aqui. O interessante aqui é ver como Simon Reynolds tenta desconstruir a etiqueta aparentemente criada naquele artigo a favor da sua etiqueta, a Hauntologia. Será então a Hipnagogia hauntológica ou a Hauntologia hipnagógica? A tentativa de explicar movimentos e criações sonoras dá nisto: artigos e opiniões a ler para no momento a seguir deitar fora. As etiquetas são lixadas.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Norte de África

E hoje Portugal sentiu Os Golpes. A Antena 3 e seu programa da manhã dedicou um espaço a um pequeno concerto da banda em versão acústica. A iniciativa partiu dos bons amigos da outra margem, o Barreiro Outras Músicas e o Tiago Sousa. Ao escutar os arranjos das canções lembrei-me imediatamente do Cantigas do Maio do José Afonso e da produção do José Mário Branco. Portugal já merecia outro momento destes há quase quarenta anos. Os Golpes vão estar no próximo dia dezoito no Auditório Municipal Augusto Cabrita no Barreiro, num festival que inclui nomes como Carminho, B Fachada, Tó Trips, entre outros. Bom dia Portugal, bom dia Açores e Madeira, bom dia norte de África.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Passatempos

Os novos passatempos destes tempos passam por listar tudo o que tenha a ver com a música e com as canções. Já não bastavam as listas do fim do ano, como agora começam a existir listas do meio do meio do semestre para eleger os melhores cinquenta da década passada a criar listas que passado uns dias já não terão interesse algum. Deste lado prepara-se o regresso aos discos. Reuniões com bandas, estratégias de lançamento, tele-discos e afins. O que interessa é olhar para o futuro e não para o passado. E o futuro, como se sabe, não vem em nenhuma lista.

domingo, 13 de Setembro de 2009

O Traço Singular

Setembro marca também o regresso aos concertos de uma forma mais regular. Ontem, no Maxime, Os Pontos Negros regressaram a Lisboa depois da passagem por diversos festivais de Verão. Daqui da Ribeira agradece-se a dedicatória na canção em que se canta "mostra-me o teu traço singular, aquele que mais quero vislumbrar". O exemplo está dado e será com o vosso exemplo que iremos largar amarras e partir em direcção ao presente da música pópe portuguesa. O traço singular de cada uma das bandas do nosso tempo já não se apaga e com o tempo só irá tornar-se mais marcado e mais forte.

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Almada Negreiros



Começar
Almada Negreiros (1968/69)
Painel gravado em pedra
Átrio de entrada do edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

O Verão Azul

O Verão teima em chegar ao fim. No fim não irá acabar. Até estar tudo gravado e preparado para apresentar ao público, a banda-projecto pode acabar, pode renascer, pode modificar-se, pode até mudar de nome. Tudo acontece porque nada acontece. Se nada acontece os substantivos voam e aterram noutras paragens. Por isso o substantivo encontrado é o reflexo do tempo presente e é muito melhor. Em breve a banda-projecto deixará de ser projecto e passará a ser uma banda. Antes que o Verão acabe e venham as outras estações do ano.

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

O Verbo e as Paisagens

Dois discos novos para uma entrada pela porta grande em Setembro: Logos e Landscapes. Atlas Sound e ducktails. Bradford Cox e Matthew Mondanile. Antes de escutar os dois discos é forçoso olhar para as capas. Duas ideias diferentes mas o conceito por trás do resultado tem uma semelhança: a queimadura das imagens. Na capa de Logos, Bradford Cox queima a cara. Na capa de Landscapes, Matthew Mondanile queima o fundo por trás das inevitáveis palmeiras. O verbo e as paisagens marcam o regresso à palavra e ao espírito do sonho.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Sala-quarto de ensaio

A sala-quarto de ensaio montada a preceito tem ajudado bastante na conclusão dos arranjos. Está montado um quadrado. Num dos lados, ao fundo junto à janela, a maquinaria informática e o sequenciador dos efeitos mais a mesa de mistura. No lado direito, como quem está de costas para a janela, o sistema de som com sub-grave ligado ao computador pessoal. No lado esquerdo o sintetizador Juno-60 e em frente, no último lado do quadrado, uma velha aparelhagem com quatro colunas para emitir o som do sintetizador. À nossa volta muitos brinquedos. Por isso surgiu a marcha maléfica da feira popular, que irá ficar para sempre presa a esta sala-quarto de ensaio.

domingo, 30 de Agosto de 2009

Esse momento

As palmeiras esperam os arranjos dos instrumentais e das vozes. Neste momento já está muita coisa definida mas ainda há muito por decidir. Sem qualquer espécie de pretensiosismo, apenas a intenção de fazer deste o nosso tempo, vamos definir o resto enquanto mergulhamos naquela piscina. As notas serão desconhecidas, o estudo aproximado, o esculpe incalculado. A pedra está já pronta e as amostras funcionarão como base para construir e edificar aquilo que se convencionou chamar canção. O golpe é dado naquele momento. Aquele momento que define tudo. O momento chegou. Esse momento.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Disco Disco Disco #4

E ao quarto disco disco disco presta-se homenagem ao enorme Giorgio Moroder. Já o tinha referido na terceira entrada dedicada à bola de espelhos e derivados, mas agora é a solo. Como vou de férias é necessária banda sonora que acompanhe este curto período de banhos nas falésias algarvias. Nada melhor que recordar a película O Expresso da Meia-Noite e a sua música. Giorgio Moroder, o responsável original. Por isso o vídeo que acompanha a entrada tem imagens do filme. Tema escolhido: "Chase". Um exemplo das infinitas possibilidades da junção dos sintetizadores e das batidas para produzir cosmicidade.


Artista: Giorgio Moroder
Faixa: Chase
Produtor: Giorgio Moroder
Ano: 1978
Facto: "Chase" faz parte do disco Midnight Express, que ganhou o Óscar para melhor banda sonora em 1979.

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segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Nomes de bandas

Enquanto não vou de férias crio mais bandas imaginárias na minha cabeça. As bandas do presente estão aí no lado direito do vosso ecrã e terão novidades até ao fim do ano. As outras bandas ainda estão na minha cabeça. Mas confesso que gostaria de as registar já, para ter exclusivo dos nomes. Grande parte do interesse de uma banda está no nome. E como ainda são ideias precoces ainda não arrisco a partilhá-las por aqui, até por que estou sempre a desafiar toda a gente a começar bandas e ainda me roubavam os nomes.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Coração de Cristal

Será o teledisco do momento. Chegou ao Gorilla vs. Bear via Fader, que estreou o vídeo, e dois dias depois chegou à Pitchfork. Maior publicidade não poderá haver, logo chegou aqui à Ribeira das Naus. O vídeo contém excertos do filme "Coração de Cristal" e mostra imagens da actriz Tawny Kitaen apaixonada pelo rapaz de cristal, Lee Curreri, o Bruno Martelli do "Fama". Tawny Kitaen, "Here I Go Again", Whitesnake, procurem. O teledisco é para o lado A do EP Call & Response de Memory Cassette, que contém a "Surfin" e a "Body In The Water".

terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Sudoeste ao longe

Não fui ao Sudoeste este ano e por isso perdi a primeira aparição do Giro. No jornal dizem que os concertos terão sido uma espécie de epifania. Isto é: a compreensão da essência ou significado de algo. Mesmo ao longe eu acredito. Não só pela minha experiência passada, mas sobretudo pelos vídeos e fotografias que germinam em catadupa pelas ferramentas de redes sociais internáuticas. Aquele palco foi iluminado. Abençoado com toda a certeza. E mais um pormenor: há cada vez mais gente em palco. As epifanias sempre foram um privilégio de poucos. No futuro seremos cada vez mais em palco e cada vez menos na plateia.