sábado, 12 de novembro de 2016

Agora

As emoções próprias destes momentos não apareceram como das vezes em que tudo estava a começar. Recordo a emoção das primeiras audições da banda que originou a editora que agora se finou. Nessa altura o coração batia rápido e certeiro, tinha encontrado algo diferente, emocionante. A partir daí construímos uma casa editorial que para a história ficará como algo entre o revivalismo do roque dos anos oitenta e uma excentricidade de alguns rapazes burgueses do Campo Grande. A noite do fim ficará para sempre marcada pela versão da nossa canção, batidas lentas e fortes e os acordes e as palavras entoadas à maneira de um funeral. Algo que nunca conseguiríamos atingir. A tarde-noite do enterro final foi um convívio como nos primeiros tempos de Alfama ou Anjos, em que éramos alguns artistas e amigos a cantar umas canções. Agora o tempo é outro, muito mais sério e regular, muito menos emocionante e muito mais previsível. Essa talvez seja a maior emoção agora.

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