quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nações e Pássaros

Que malha! A confirmar que a FlorCaveira não é uma corporação, é uma mina. Bruno Morgado é o tesouro escondido da editora cuja sede está entre Queluz, São Domingos de Benfica e Oeiras. Bruno Morgado nasceu e cresceu a ouvir as canções de Tiago Guillul, Samuel Úria e d'Os Pontos Negros e companhia. O resultado começa a sentir-se no seu espaço. Canções simples, mas com uma garra incrível. Escutem o piano lá atrás na "Nações e Pássaros", é obviamente ouro. A letra é escrita em português, com uma frase magnética e destrutiva, "Graças a Deus por todas as nações, por todos os pássaros". O Martinho prefere o "Barco" e eu oiço em repetição a "Nações e Pássaros". FlorCaveira, quando é que editam o Bruno Morgado?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ilha dos Amores

É impossível não ficar siderado com a clareza e capacidade de raciocínio de Agostinho da Silva. Andam dispersas, no infinito mundo da rede de computadores, alguns excertos de conversas, algumas vadias, com o grande filósofo português do século XX. São, de facto, entrevistas. Entrevista, isto é, colocar-se no meio da vista, no centro da visão. E a visão de Agostinho da Silva é clara, fazer deste mundo uma enorme Ilha dos Amores.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sem ligação

O facto de estar sem ligação ao mundo já fez com que nestes dias começasse dois "projectos". Um estava congelado e outro é mesmo novo. Também nestes dias estive no restaurante Mesa de Frades a ouvir as próximas grandes vozes do Fado. Falo, claramente, de Carminho e de Ricardo Ribeiro. Na assistência estavam outros nomes grandes do futuro da pintura, da escrita e da cultura pope portuguesa. Uma geração toda ali. Também nestes dias estive na Associação Agostinho da Silva e comprei o primeiro número da revista Nova Águia, da qual serei, brevemente, assinante. Tudo isto sem ligação.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meio começo

É uma semana especial por aqui, a semana em que o primeiro disco da Amor Fúria chega às lojas. O disco chama-se Meio Disco e a banda chama-se Os Quais. Os Quais de Jacinto Lucas Pires e de Tomás Cunha Ferreira, de uma geração à frente da minha, mas para sempre ligados a esta por causa deste disco. Não me vou esquecer do dia em que, em plena Praça Luís de Camões, convidámos Os Quais a gravar um disco editado por nós, depois de termos "perdido" o nosso "primeiro disco" há pouco tempo. Ele está aí e vale muito. Corram mais e sorriam, em direcção ao imenso Atlântico.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Vosso Entretenimento

Uma das coisas mais interessantes na audição de um álbum de Hip Hop lançado nos Estados Unidos, o último verdadeiro mercado discográfico, como Paper Trail de T.I., o sexto álbum do rapper de Atlanta, é poder ouvir as últimas composições dos mega-produtores de Hip Hop do outro lado do Atlântico. Por lá andam o Just Blaze, o Kanye West, o Danja, DJ Toomp, Swizz Beatz, ou até uma das primeiras produções de Justin Timberlake, fiel aprendiz de Timbaland. Também os menos conhecidos por cá, Midnight Black ou Chuck Diesel, entre outros, participam no álbum. Mas quem sai por cima de todos é Drumma Boy, de Memphis, Tennessee. Influenciado por Bach ou Beethoven, Gillespie ou Miles e citando Quincy Jones como uma das suas inspirações, Drumma Boy foi nomeado "Produtor do Ano" nos prémios Ozone, revista especializada em Hip Hop do sul dos Estados Unidos. Assim de repente, "My Life Your Entertainment", com o Usher, é a minha canção da semana.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Produtividade

Vai começar um novo programa de debate na Rádio Renascença, já no próximo domingo ao meio-dia, vai chamar-se "Espaço Aberto". Terá no painel, entre outras ilustres personalidades da presente sociedade portuguesa, o Padre Hermínio Rico. O Padre Hermínio é o actual Assistente Nacional da Comunidade de Vida Cristã e Assistente Nacional dos Leigos para o Desenvolvimento e foi durante muitos anos director da revista "Brotéria". Isto tudo porque neste dias tenho andado a pensar num texto escrito p'lo Padre Hermínio na revista Brotéria 153 sobre o Advento em 2001, onde no meio do texto surgem, por exemplo, estas palavras:

Vivemos numa cultura que faz do tempo um adversário e, simultaneamente, nos escraviza totalmente a ele. O tempo é o inimigo que tentamos enganar, ultrapassar, dominar em correria desenfreada contra ele, com a ilusão de que lhe poderemos passar à frente e controlá-lo. A produtividade (isto é, fazer o mais possível no mínimo tempo possível) é o grande deus a que tudo se submete com temor e tremor.


Hermínio Rico SJ

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Poeta Urbano



A grandeza de T.T. não está, como se poderá pensar, nos bicípites ou no estilo óculos escuros, correntes militares e auscultadores gigantes. A grandeza de T.T. está no talento que possui para a produção e para a composição de canções hip hop are éne bi. Chego atrasado, é verdade. Mas ao contrário de ficar calado, porque não fui eu a descobri-lo, assumo que gosto mesmo disto. A T.T. apelidam de Justin Timberlake português, a tristeza dos rótulos associados a quem utiliza a língua portuguesa por cima de um estilo de música importado. Lembram-se dos Strokes portugueses? Nada disso, T.T. estará muito mais próximo de um R. Kelly e ninguém sabe referir isso. Sente o Beat, de 2007, é o melhor som que os Morangos com Açucar têm para oferecer. Para ouvir sem preconceitos. Já agora, oiçam mais a Rádio Cidade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Em ácidos

O novo álbum dos Animal Collective, o Merriweather Post Pavillion, é um álbum de Acid House. Musicalmente não é, mas espiritualmente é. Há quem diga que neste disco os Animal Collective aproximam-se, mais do que nunca, ao formato canção. Mas então os outros álbuns não tinham canções? A "Grass" não é uma canção? A "Fireworks" não é uma canção? E a "Who Could Win A Rabbit" será uma canção? O mesmo se aplica ao "álbum mais pope dos Animal Collective". Isto tudo é pope, mas agora tem electrónica por trás e homenagens à cultura da música de dança. Confira-se a "Summertime Clothes" da batida quatro por quatro, a "Brother Sport" de final de set em Ibiza e a "My Girls", com um sample que pode muito bem ter sido sacado à "Your Love" do Frankie Knuckles, como o gorillavsbear tão bem refere. O título desta entrada bem poderia ter sido "Clássico do House #1".

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ocidente Infernal

Já parece perseguição, mas garanto que não é. O blogue de partilha mais interessante do momento volta a surpreender e partilha com o mundo o máxi-single Ocidente Infernal, o último disco editado com o selo da Fundação Atlântica, já em 1985. Também dá o braço a torcer quanto à importância de Pedro Ayres Magalhães na história recente da música em Portugal. O Ocidente Infernal de Pedro Ayres Magalhães contém dois temas, "O Ocidente Infernal" e o "Adeus Torre de Belém". Qual o melhor? Completamente instrumentais e completamente à frente do seu tempo. Para quem está no cosmos da actualidade, nada como escutar a beleza desta peça. Conheço uma pessoa que gosta de experimentar e tocar coisas parecidas nos tempos livres.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Centro-centro

The Sound, uma das bandas mais importantes do período pós-panque. Tradicionalmente esquecida pela maior parte do público que nasceu depois de 1980 e já conhece bem os Joy Division e os New Order. Para ouvir e ver sem parar. O nome da canção aparece no ecrã quando o cronómetro da cassete marca 00:10:12:23. Adrian Borland na voz e guitarra, Graham Bailey no baixo, Mike Dudley na bateria e Colvin “Max” Mayers nos teclados. A filmagem é de um concerto dado em Utrecht, no festival "No Nukes", a 9 de Abril de 1982. Há mais aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Violência

Cruzes de Cristo
Caem dos céus
Sobre este Império
Que Deus nos deu

Cruzes de Cristo
Caem dos céus
Sobre este Amor
Que Deus nos deu


"Campo de Santa Clara", Os 400 Golpes

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano da Gomorra

Dizem por aí que 2009 vai ser um ano violento. Será, sem dúvida, um ano violento. A violência é sempre mais forte quando somos surpreendidos por ela e é mesmo isso que vai acontecer. No entanto se nascemos no meio da violência, ela própria é absorvida e torna-se parte da rotina. Por isso mesmo tenho cada vez mais dificuldade em entender se o que oiço é mesmo violento ou apenas mais um disco do meu dia-a-dia. Como se de repente estivesse a viver de novo em Itália. Na Sicília. Como se fosse uma das personagens de "Gomorra". O melhor filme que vi o ano passado.